EMPATE

Romance de estréia de Vinícius Neves Mariano, EMPATE chamou a atenção de escritores como Maria Valéria Rezende e Sérgio Tavares.

LITERATURA

Um homem traumatizado pela II Guerra Mundial almeja se vingar do Brasil. E a derrota para o Uruguai na final da Copa do Mundo jogada em casa é o golpe perfeito para sua desforra. O romance histórico tem início quando Aureliano, sem resistir à superlotação do Maracanã naquela tarde de 1950, cai dentro do fosso que separa as arquibancadas do campo. Com ele cai também outro homem, Monarco, de personalidade completamente oposta. Juntos eles terão que imaginar o momento histórico que está acontecendo a poucos metros de suas cabeças contando apenas com o barulho que vem das arquibancadas.

Empate é fantástico!

Maria Valéria Rezende, vencedora do Prêmio Jabuti e Prêmio São Paulo de Literatura

Mariano faz uma incrível reconstituição de época, apostando numa pesquisa história que valoriza os detalhes mínimos, a exemplo da marca de cigarro que os pracinhas fumavam em território bélico. Com isso, a narrativa vai se encorpando de uma textura cinematográfica, ao partir de um dia de simbolismo trágico, para retratar as transformações sociopolíticas e culturais de um tempo. Em sua estreia, o autor consegue um belo gol.

Sérgio Tavares, escritor e jornalista, vencedor do Prêmio Sesc de Literatura

Um veterano de guerra e um operário, por infortúnios distintos, caem no fosso do Maracanã momentos antes do apito inicial de Brasil x Uruguai, na final da Copa’1950. Deste purgatório, são poupados do céu e inferno da partida, mas revisitam lembranças, expurgam demônios e reconstroem, cada qual à sua maneira, um dos capítulos mais tristes do nosso futebol. A narrativa é saborosa, cinematográfica, permeada de detalhes e emoções despercebidas nos relatos jornalísticos em preto e branco que estamos acostumados. A subida da rampa, os minutos guardados ansiosamente dentro de cada cigarro Continental, o burburinho são tensões reveladas no livro que sempre ficam de fora da história oficial, afeita a clichês. Empate não é pretensioso, nem traz novas luzes ou interpretações sobre a derrota, mas torna-se valioso por tratar, justamente, da matéria-prima esquecida do futebol: a capacidade de sonhar. Leiam, vocês vão gostar.

Renan Damasceno, do jornal O Estado de Minas

Recomendo demais!

Gustavo Hofman, ESPN